| Boletín IFP | Especial N°2 | LSJ 11 - Oaxaca | |
Junio 2006 |
|||||||||||||
| A educação e a comunicação como desafio aos povos latinos e africanos, por Paulo Henrique de Souza, Marilene Santos y Juan de Dios Simon |
||||||||||||||
| A educação configura uma necessidade e um desafio para os povos dos paises da América Latina e da África. Séculos de políticas excludentes e elitistas têm contribuído para aumentar cada vez mais o fosso das desigualdades sociais dentro e fora das salas de aula, tornando o saber, o conhecimento, a informação um beneficio de poucos e condenando os menos favorecidos a ignorância e a viver, muitas vezes, a margem da sociedade. No LSJ11 de Oaxaca, realizado em fevereiro de 2006, causou entusiasmo o interesse que o tema tem gerado entre os bolsistas do IFP seja pela forma apaixonada como se dedicam ao dissecamento de questões historicamente consolidadas nas suas realidades nacionais, seja pela maneira inovadora como propõem soluções e alternativas construtivas para resolver estes mesmos problemas. O esforço deste grupo demonstra o nível de comprometimento destes estudantes com suas origens e suas propostas de contribuir para a mudança dessa realidade excludente em nível educacional, e que tem similares em outros campos da vida humana, como o trabalho, a saúde, as relações de gênero, a cultura, entre tantos outros. Além disso uma perspectiva introduzida pelo grupo e o tratamento dado aos temas educacionais segundo a ótica da comunicação, ou melhor dos processos comunicativos, em função da língua, da apropriação de signos e sentidos. Deste modo, os artigos encaminhados ao comitê organizador do 11 LSJ e as apresentações e debates conduzidos em Oaxaca consolidaram percepções, aproximaram indivíduos e permitiram o estabelecimento de alianças que, certamente, desaguarão em outras formas de parcerias acadêmicas ou militantes. Na verdade, este e um dos fatores que mais chamou a atenção neste grupo, ou seja, como pessoas vindas de regiões tão distantes conduziam reflexões tão próximas. Essa complementariedade de temas e soluções, em si peruaria, configura um elemento enriquecedor da experiência vivida no México. Nesta pequena coletânea não apresentamos os quatro melhores trabalhos, pois fazer essa seleção exigiria um esforço difícil de coordenar devido à qualidade do conjunto. Por isso, optamos por introduzir quatro artigos considerados representativos do esforço do grupo em função de aspectos como temática, origem e gênero. Neles podemos ver a emergência de algumas temáticas e a forma natural como elas se articulam, o que causou surpresa e prazer durante a realização do encontro. Afinal, os bolsistas IFP puderam comprovar que a natureza de seus questionamentos encontra eco em outras frentes de analise e de investigação e que, de certo modo, as mesmas inquietudes tornaram-se motores de busca de ação e de conhecimento. Aqui eles são apresentados a partir de um dialogo visualizado apos a leitura de cada documento. O primeiro trata-se do artigo de Samima Amade Patel sobre a formação de professsores em contexto de educação bilíngüe em Moçambique, que propõe uma analise pertinente sobre alguns aspectos do multiculturalismo com enfoque no ensino-aprendizagem de línguas, bem como no contexto social, lingüístico e cultural no seu país. ``Qualquer programa de formação de professores de língua é sempre um desafio, pois o professor é solicitado a lidar com a língua de ensino-aprendizagem como objeto de estudo e como meio de ensino das matérias. Contudo, para os professores de educação bilíngüe o desafio é ainda maior porque eles realizam as mesmas tarefas duplamente, isto é, na língua primeira – (L1), na língua segunda – (L2) e outras disciplinas curriculares como Matemática, Ciências, de entre outras``, ressalta ela. E evidente o dialogo deste trabalho com o conduzido pelo peruano César Luna Jara, que se debruça sobre a apropriação da língua estrangeira e os modelos educacionais da Sierra Sur, no Peru. Segundo o autor, todo o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira implica em conflitos cognitivos e lingüísticos na vida do estudante, que se traduzem em angustias e tensões em contextos nos quais o ensino de um outro idioma não acontece que como tal. O pesquisador remarca que numa sociedade como a peruana, na qual a discriminação lingüística e incisiva, este tipo de interferência torna-se objeto de riso e de constrangimento aos jovens alunos. Alem disso, acrescenta ele, `` a discriminação pela interferência lingüística antes assinalada torna ainda mais angustiante o processo de aprendizado do castelhano como língua segunda em contextos nos quais ele aparece realmente como idioma estrangeiro``. Esta relação de poder no cotidiano escolar baseada na apropriação dos códigos de linguagem também foi abordada pelo brasileiro Osvaldo Piedade Pereira da Silva que, entre outras coisas, introduz aquilo que conceituou como a ``violência lingüística``. O autor alerta sobre a importância de observar com atenção ao processo lingüístico enquanto produto e produção da história que tem na cotidianidade uma forma de expressão. `` Para tanto, é preciso compreender que nenhum projeto de emancipação social será menos prejudicial aos excluídos, se insistir na manutenção da suposta superioridade de uma variedade lingüística sobre outras. Exatamente pelo fato de que a idéia de superioridade e de uma variedade lingüística sobre outras, resulta do antagonismo histórico das classes. Desta forma não faz sentido que um projeto político educativo empenhado na emancipação humana que defenda a manutenção de uma variedade lingüística elitista``, observa ao destrinchar os mecanismos que levam a formação da idéia da chamada língua oficial; língua nacional; língua-padrão; língua culta ou língua de prestígio. Finalmente, a chilena Claudia Villagrán Muñoz propõe uma reflexão sobre a emergência indígena e o direito de comunicação desses povos. Suas considerações a partir de una experiência de radiodifusão sobre povos indígenas em Santiago de Chile identificam questões importantes sobre este tema. A principal delas se relaciona ao papel dos jornalistas, comunicadores e cientistas sociais neste processo que busca a garantia aos povos considerandos socialmente marginalizados de expressar suas opiniões e pontos de vista, isto e, materializando na pratica o seu direito fundamental de comunicação. Indo alem dos processos educacionais e comunicativos propriamente ditos, o esforço da autora configura um chamado ao comprometimento de indivíduos e profissionais engajados na luta pelos direitos humanos e pela justiça social. Essa pluralidade de discursos e temáticas em termos de educação e comunicação que marcou o 11 LSJ ecoou na historia de cada participante. Os compromissos assumidos em plenária de atuar como agentes modificadores e multiplicadores se inserem na tendência de construir uma militância intelectualmente e academicamente preparada para os desafios que virão. A grande capacidade de inserção deste grupo em suas realidades e, por conseqüência, a possibilidade de influenciá-las de forma positiva são animadoras e comprovam que os primeiros passos foram dados na direção certa, mas, no entanto, ainda ha uma grande distancia a percorrer. |
|
|||||||||||||
Boletín IFP__:::__Documentos para una mayor Justicia Social |
Año 3, Número Especial 2 |
|||||||||||||